Goiano com nanismo sonha em ser delegado e questiona reprovação em teste físico de concurso
O advogado goiano Matheus Menezes afirma que se tornar delegado sempre foi um objetivo de vida. Após ser eliminado no Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, ele diz ter sido prejudicado por não receber adaptações na prova, mesmo concorrendo na modalidade de pessoa com deficiência (PCD).
Em entrevista, Matheus contou que a carreira policial sempre esteve em seus planos. Segundo ele, a motivação vai além da imagem popular da profissão.
“Desde que entrei na faculdade, já tinha convicção de que queria ser delegado. Muitas pessoas pensam que o delegado apenas corre atrás de criminosos, mas a função também envolve investigação, inteligência e gestão. Sempre quis trabalhar investigando crimes e casos complexos”, afirmou.
“Propósito de vida”
De acordo com o candidato, a carreira representa um verdadeiro propósito pessoal.
“É uma profissão que me desperta vontade de lutar pela justiça e combater a criminalidade. Eu durmo e acordo pensando nisso. Nunca me vi exercendo outro cargo”, declarou.
Matheus participou do último concurso da Polícia Civil de Minas Gerais e chegou à penúltima etapa do processo seletivo, mas acabou eliminado após não atingir o índice mínimo exigido no Teste de Aptidão Física.
Falta de adaptação no TAF
Segundo o advogado, antes da realização do exame físico ele apresentou laudos médicos solicitando adaptações no teste, em razão do nanismo.
Ele afirma que, além de enviar os documentos previamente, também entregou o pedido diretamente à coordenação da prova no dia da avaliação.
“Levei o documento solicitando adaptações de acordo com a minha condição e entreguei à fiscal coordenadora, mas o pedido foi ignorado”, relatou.
De acordo com Matheus, a justificativa apresentada pela organização foi de que todos os candidatos deveriam cumprir os mesmos critérios previstos no edital.
O candidato acabou eliminado após não alcançar a marca mínima de 1,65 metro na prova de impulsão horizontal. Com isso, ele afirma que sequer foi autorizado a realizar a etapa final do teste, que consistia em corrida de 12 minutos.
Questionamento na Justiça
Para Matheus, a situação representa violação de direitos garantidos às pessoas com deficiência.
“Desrespeitaram a Constituição Federal, o Estatuto da Pessoa com Deficiência e decisões do Supremo Tribunal Federal. Me senti prejudicado e injustiçado”, afirmou.
A organização do concurso, conduzido pela Fundação Getulio Vargas, divulgou recentemente o resultado definitivo do exame físico. O nome do candidato não aparece entre os classificados.



