A crise na Câmara dos Deputados continua a se desenrolar após o motim que paralisou os trabalhos da Casa. A Corregedoria da Câmara, sob a responsabilidade do corregedor Diego Coronel (PSD-BA), recebeu nesta segunda-feira (11) queixas formais contra 14 deputados dos partidos PL, PP e Novo. Os parlamentares são acusados de bloquear o funcionamento da Casa em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras questões políticas.
A Corregedoria agora tem 48 horas para se manifestar sobre os pedidos de suspensão e, possivelmente, de cassação dos envolvidos. A análise do corregedor Coronel poderá levar à adoção de um rito sumário, permitindo a suspensão imediata de deputados antes que o Conselho de Ética da Câmara conclua a avaliação dos casos.
Entre os deputados que estão na mira da Corregedoria estão importantes líderes de bancada, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL, Zucco (PL-RS), líder da oposição, e Marcel Van Hattem (Novo-RS). Além deles, outros parlamentares com grande visibilidade, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Bia Kicis (PL-DF), também foram citados nas denúncias.
Lista de Deputados Envolvidos no Bloqueio dos Trabalhos da Câmara:
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) – Líder do PL
- Zucco (PL-RS) – Líder da oposição
- Marcel Van Hattem (Novo-RS) – Líder do Novo
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Allan Garcês (PP-MA)
- Caroline de Toni (PL-SC)
- Marco Feliciano (PL-SP)
- Domingos Sávio (PL-MG)
- Zé Trovão (PL-SC)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Paulo Bilynskyj (PL-SP)
- Marcos Pollon (PL-MS)
- Julia Zanatta (PL-SC)
Pedido de Suspensão Imediata e Prazo de Análise
A medida é parte de um novo rito disciplinar, que foi criado na gestão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acelerar a punição de parlamentares que atrapalham o andamento dos trabalhos legislativos. Caso o corregedor não se manifeste dentro do prazo de 48 horas, a Mesa Diretora da Câmara poderá tomar a decisão de forma independente.
O corregedor Diego Coronel adiantou que, para os casos mais simples, a suspensão pode ser aplicada rapidamente. No entanto, para os casos mais complexos, será necessário abrir prazo para a defesa dos deputados acusados. Coronel também se reuniu com o presidente Hugo Motta para discutir as próximas etapas do processo.
Contexto do Motim e Repercussões Políticas
A ocupação do plenário da Câmara, que durou mais de 30 horas, foi liderada por parlamentares de oposição e visou impedir a análise de propostas e protestar contra a prisão de Bolsonaro. Este episódio gerou uma série de repercussões políticas, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pedindo a cassação dos mandatos dos deputados envolvidos, classificando-os como “traidores da pátria”.
Em paralelo, o vice-presidente Geraldo Alckmin também criticou a ação, chamando-a de “inadmissível”, defendendo a integridade do Parlamento como um espaço democrático.
Próximos Passos e Expectativas
Com o prazo de 48 horas para se manifestar, a Corregedoria da Câmara deverá tomar decisões cruciais que podem afetar a trajetória política de diversos deputados de destaque. A cúpula da Casa, incluindo o presidente Hugo Motta, espera que as punições sirvam de alerta para evitar novos episódios de desordem e para reafirmar a autoridade do Legislativo.
O que se espera é que, até a próxima quarta-feira (13), Coronel apresente as conclusões à Mesa Diretora, que poderá recomendar a suspensão imediata dos envolvidos. A pressão é grande para que a resposta seja rápida, dada a gravidade da situação e a necessidade de preservar o funcionamento da Câmara.



