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quarta-feira, abril 8, 2026

Irã tem dia decisivo com reunião nuclear com os EUA e possível decisão de Trump sobre ataque

O Irã enfrenta nesta quinta-feira (26) um dos momentos mais delicados dos últimos meses. Representantes de Teerã e de Washington participam, em Genebra, da terceira rodada de negociações nucleares em menos de um mês — encontro que pode definir não apenas o futuro do programa atômico iraniano, mas também a possibilidade de uma nova escalada militar no Oriente Médio.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve decidir nos próximos dias se autoriza um ataque limitado contra o Irã, dependendo da avaliação enviada por seus emissários após a reunião desta quinta.

O que está em jogo

O encontro ocorre na cidade suíça de Genebra e começou por volta das 6h15 (horário de Brasília). A tentativa é fechar um acordo que limite — ou encerre — o programa nuclear iraniano.

Os Estados Unidos exigem:

  • Interrupção do enriquecimento de urânio;
  • Restrições ao programa de mísseis balísticos;
  • Fim do apoio iraniano a grupos armados no Oriente Médio.

O governo iraniano sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos, voltados à produção de energia, e defende que as negociações se limitem ao tema nuclear. Teerã afirma estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio, desde que haja suspensão das sanções econômicas.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou ver chances de um entendimento. Já o líder supremo, Ali Khamenei, mantém postura de resistência diante das pressões externas.

Pelo lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou esperar uma reunião produtiva, mas alertou que o Irã terá “um grande problema” se se recusar a discutir o alcance de seus mísseis.

Ataque no radar

De acordo com a imprensa americana, Trump avalia duas possibilidades:

  1. Ataque limitado nos próximos dias, caso considere que não houve avanço diplomático.
  2. Campanha militar mais ampla nos próximos meses, com o objetivo de enfraquecer ou até derrubar o regime liderado por Khamenei.

O jornal The New York Times relata que a opção mais imediata seria um bombardeio restrito a instalações estratégicas. Já uma ofensiva maior dependeria dos resultados iniciais da pressão militar.

O Irã reagiu com firmeza. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores declarou que não existe “ataque limitado” e prometeu resposta “feroz” a qualquer agressão, inclusive com possíveis alvos em bases militares americanas na região.

Pressão pública e prazo

Durante o discurso do Estado da União, Trump voltou a acusar o Irã de retomar ambições nucleares e afirmou que não permitirá que o país obtenha uma arma atômica.

O presidente também mencionou os ataques realizados em junho de 2025 contra instalações iranianas e sugeriu ter dado um prazo de até 15 dias para que Teerã avance em um acordo. Esse prazo se encerraria na primeira semana de março.

Desde janeiro, Trump afirma que pode optar por uma solução militar caso a diplomacia fracasse.

Movimentação militar

Em meio às tensões, os Estados Unidos reforçaram sua presença no Oriente Médio. Entre os destaques está o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para a região. Nas últimas semanas, outro porta-aviões, o USS Gerald R. Ford, também foi deslocado.

As forças americanas já mantêm pelo menos dez bases militares em países vizinhos ao Irã e reforçaram posições aéreas e sistemas de mísseis. Há relatos de envio de aeronaves adicionais para a Europa e para Israel.

Como resposta, o Irã anunciou exercícios militares conjuntos com Rússia e China no Mar de Omã e intensificou manobras no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.

Histórico de tensão

A rivalidade entre Irã e Estados Unidos remonta a 1979, após a Revolução Islâmica que instaurou o regime dos aiatolás.

Em 2015, durante o governo de Barack Obama, foi firmado um acordo histórico que limitava o programa nuclear iraniano. Dois anos depois, Trump retirou os EUA do tratado e restabeleceu sanções.

Em 2020, a morte do general iraniano Qassem Soleimani, em operação americana, levou os dois países a uma das maiores crises recentes.

No ano passado, um novo ataque americano contra instalações nucleares iranianas resultou em contra-ataque limitado e posterior cessar-fogo. Desde então, o ciclo de ameaças e negociações se intensificou.

Cenário incerto

Mesmo com as delegações novamente à mesa de negociação, o clima é de desconfiança mútua e pressão política interna em ambos os países. O resultado da reunião em Genebra pode abrir caminho para um novo acordo — ou acelerar uma escalada militar com impactos globais, especialmente no mercado de energia e na estabilidade do Oriente Médio.

O mundo acompanha atento.

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