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domingo, janeiro 25, 2026

PF investiga intoxicações por metanol em São Paulo e possível distribuição em outros estados


A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar a origem do metanol usado na adulteração de bebidas alcoólicas em São Paulo. O anúncio foi feito nesta terça-feira (30) pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que alertou para a possibilidade de a substância estar sendo distribuída também em outros estados.

Segundo o governo paulista, já são pelo menos 22 registros entre casos suspeitos e confirmados, com cinco mortes associadas ao consumo da substância — uma delas comprovada por bebida adulterada e quatro ainda em apuração.

Situação fora do padrão

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o cenário como “anormal”. Ele destacou que, em média, o Brasil registra cerca de 20 casos de intoxicação por metanol ao longo de todo o ano, mas só em setembro quase metade desse número foi notificada, concentrada em São Paulo.

“O Ministério da Saúde vai publicar uma nota técnica para orientar profissionais de saúde sobre sintomas e formas de atendimento, além de reforçar a necessidade de notificação imediata”, afirmou Padilha.

Como ocorre a adulteração

As investigações apontam que criminosos falsificam garrafas de bebidas de marcas conhecidas, como gin e vodca, substituindo parte do conteúdo por metanol. O produto é então vendido em bares, adegas e casas noturnas.

O metanol é um álcool industrial, altamente tóxico e de difícil identificação. A ingestão pode provocar dores abdominais intensas, náusea, convulsões, cegueira e até a morte. Pequenas quantidades já são suficientes para causar danos graves.

Vítimas

Entre os casos confirmados estão três mortes — dois homens, de 54 e 58 anos, e outro de 45, todos em São Paulo. Outros pacientes seguem internados em estado grave.

Uma das vítimas, Rafael dos Anjos Martins Silva, permanece na UTI há quase um mês. Segundo familiares, o quadro é irreversível. Já Rhadarani Domingos, que perdeu a visão após ingerir caipirinhas em um bar da capital, deixou a UTI, mas ainda não tem previsão de alta.

Crime organizado sob suspeita

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que não está descartada a ligação entre a adulteração de bebidas e o crime organizado. Segundo ele, investigações recentes sobre combustíveis mostraram que o PCC estaria importando ilegalmente metanol pelo Porto de Paranaguá, esquema que pode ter se expandido para bebidas falsificadas.

“Tudo indica que a rede de distribuição vai além do estado de São Paulo”, declarou Lewandowski.

Ações de fiscalização

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) já emitiu nota técnica recomendando atenção redobrada de bares e comerciantes quanto a embalagens, rótulos e lacres. Em São Paulo, fiscais recolheram 117 garrafas suspeitas em bares da capital.

O Centro de Vigilância Sanitária orienta consumidores a comprar apenas bebidas de procedência comprovada, com selo fiscal e lacre de fábrica.

Serviços de emergência

A Secretaria de Saúde de São Paulo reforça que, em caso de suspeita de intoxicação, é necessário buscar atendimento médico imediato. O Centro de Controle de Intoxicações de SP oferece suporte pelos telefones (11) 5012-5311 e 0800 771 3733.


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