O ano de 2026 marca o início prático da implementação da reforma tributária no Brasil. Embora a unificação dos impostos sobre o consumo ainda funcione em caráter de simulação, as mudanças no Imposto de Renda (IR) começam a valer já no primeiro ano, trazendo impacto direto para milhões de contribuintes.
Segundo as novas regras, cerca de 15 milhões de brasileiros serão beneficiados imediatamente: aproximadamente 10 milhões deixarão de pagar Imposto de Renda, enquanto outros 5 milhões terão redução no valor devido. Ao mesmo tempo, para compensar a perda de arrecadação, o governo aumentará a tributação sobre rendas mais altas.
Mais impostos para alta renda
A legislação prevê a criação de uma alíquota progressiva de até 10% para rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, o equivalente a mais de R$ 50 mil por mês. A estimativa é de que cerca de 140 mil contribuintes sejam atingidos por essa medida.
A nova tributação alcançará rendimentos hoje isentos, como ganhos com poupança, títulos isentos, heranças, aposentadorias e pensões por doenças graves, venda de bens, rendimentos mobiliários e indenizações.
Mudanças no consumo começam em fase de testes
No campo do consumo, 2026 será um ano de transição. Empresas de todos os portes passarão a emitir documentos fiscais eletrônicos com campos específicos para dois novos tributos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com alíquota simbólica de 0,9%;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), com alíquota simbólica de 0,1%.
Esses valores terão caráter apenas informativo e não gerarão cobrança efetiva. O objetivo é preparar sistemas, processos e adaptações fiscais para a substituição gradual de tributos atuais como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, prevista na reforma aprovada pelo Congresso Nacional.
Nova tabela do Imposto de Renda
A reforma também prevê mudanças estruturais no Imposto de Renda, com foco na classe média. A partir de 2026:
- Quem ganha até R$ 5 mil por mês terá isenção total;
- Quem recebe até cerca de R$ 7,3 mil terá redução no imposto.
Entre 2023 e 2026, a expectativa é que aproximadamente 25 milhões de brasileiros sejam beneficiados, sendo 20 milhões com isenção total e outros 5 milhões com redução do tributo.
Nas faixas intermediárias, as mudanças incluem:
- Até R$ 5.500: isenção de 75% (economia anual de R$ 3.367,68);
- Até R$ 6.000: isenção de 50% (economia anual de R$ 2.350,79);
- Até R$ 6.500: isenção de 25% (economia anual de R$ 1.333,90).
Para rendas acima de R$ 7.000 mensais, seguem as alíquotas progressivas tradicionais de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%.
O que fica para 2027
A partir de 2027, a reforma entra em uma etapa mais avançada. A CBS passará a ser cobrada efetivamente, com alíquota estimada em 8,7%, e entrará em vigor o Imposto Seletivo, voltado para produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, como combustíveis fósseis, bebidas alcoólicas e cigarros. Armas, no entanto, não foram excluídas da incidência pelo Congresso.
Com a implementação gradual, o governo aposta em uma transição mais segura para o novo sistema tributário, buscando simplificar a cobrança de impostos e redistribuir a carga tributária, ao mesmo tempo em que tenta preservar o equilíbrio fiscal.



